10 setembro, 2011

UMA AULA - ABERTURA DE CASO


Este foi o mapa conceitual construído pela turma de Segundo Período de Enfermagem da Faculdade AGES - Bahia. Ele foi realizado a partir do caso de 70% das competências.
Disciplina - História da Enfermagem.

CUIDAR OU CUMPRIR TAREFAS


Às 20 horas entraram dois Técnicos de Enfermagem no quarto. Carregavam uma bandeja com termômetro, algodão e uma folha de papel onde faziam anotações.
Ao entrar, conversando entre si, colocaram a bandeja em cima das pernas do doente do leito 1, seu Francisco:
- E aí, você vai ver a briga de galo domingo?
- Não sei. Vamos ver se consigo enganar minha esposa. Ela disse que ainda vou acabar preso lá na rinha¹.
Os dois Técnicos se postaram um de cada lado da cama. Um ergueu o braço de Seu Alfredo, o doente do leito 2, e o outro colocou o termômetro. Em seguida olhou em volta da cama e fez algumas anotações. Depois envolveu o braço do doente com o esfigmomanometro e verificou a pressão².
Depois que terminou de verificar os dados de Seu Alfredo, os dois voltaram-se para seu Francisco e repetiram os procedimentos.
Quando estavam saindo o acompanhante de seu Alfredo, Maurício, perguntou se o soro de seu pai estava pingando corretamente:
- Ver o soro não é com a gente, é com a Enfermeira da medicação. Toca a campainha que ela vem ver³.
Saíram conversando:
- Então, já decidiu se vai ver a briga de galo?
- Depois te falo.
- A última vez que fui foi uma matança terrível.
- Deixa que depois te falo. Eu adoro ver sangue.
No dia seguinte, pela manhã entrou a Enfermeira “chefe” da unidade:
- Bom dia. Dormiram bem?
- ...
- E fizeram xixi? Comeram? Estão andando?
- ...
- Não se esqueçam de contar isso pro o médico4.
Em menos de cinco minutos entrou e saiu do quarto. O resto do dia passou em frente ao computador fazendo anotações5.

Há uma discussão teórica envolvendo a realização de casos em PBL e Problematização. Alguns defendem casos secos, diretos, objetivos, com linguagem acadêmica apropriada e condizente com o ambiente.
Outros, como eu, por exemplo, que os casos devem ser reflexos da realidade. Com linguagem apropriadas ao contexto e os personagem em cena. E mais, com distrações e imprecisões, porque esta será a realidade do trabalhador em saúde.

Observe atentamente o mapa desenhados pelos estudantes: não é uma mera relação de problemas, uma lista, mas uma descrição relacional em que se pode percebe o quanto um problema influe em outro, o quanto eles podem ser causas e consequencias ao mesmo tempo.
Então acredito que não se tem muito o que discutir. O caso com distrações leva o aluno a perceber o que vai nas entrelinhas, a subjetividade inerente as relações e ir além do que o próprio professor tinha como objetivo. Isto é colocar o alunos no centro do processo e admitir que nem tudo, em sala de aula, pode e deve ser controlado pelo professor e/ou tutor.
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2 comentários:

Ernande Valentin do Prado disse...

Profº Ernande,
obrigada por compartlilhar idéias e saberes; visitei o link, a história parece muito real; penso que pderemos ter um caminho que possa conciliar o PBL e a problematização, isto seria possível se pudessemos colher dos profissionais situações-problema dos cotidianos e a estes ser inserido o conteúdo(ou estórias) para extrair o academico que devemos abordar. Talvez assim pudesse dar conta.
Conversaremos sobre esta proposta. abs Catarina

[...]

Profª Ms. Catarina Sampaio Freire de Mello Lima
Coordenadora do Núcleo de Nutrição UFS_Lagarto

Raquel Bianca disse...

na minha época não era assim ;/
mais ta muito bom o blog, assim os alunos ficam mais interessados na aula,
parabéns !