21 fevereiro, 2011

QUESTÕES DE APRENDIZAGEM - BASES E HISTÓRIA

1. O que nós, Enfermeiros, podemos fazer para cuidar das pessoas que cuidam de alguém na comunidade?
    Waldow (2008), em seu livro Bases e princípios do conhecimento e da arte da enfermagem, faz uma série de questionamentos a respeito da natureza do trabalho e do conhecimento da enfermagem. E diz que “parece ser consenso de boa parte da comunidade de enfermagem afirmar que o que ela faz é cuidar”. Waldow (2008, p. 10). Esta pergunta não ficaria completa sem essa introdução e menos ainda sem antes dizer brevemente o que é cuidado. Segunda a mesma autora o CUIDADO DE ENFERMAGEM [...] “engloba desde administração medicamentosa, instalar um cateter,  assistir pessoas enfermas, promover a saúde, educar, gerenciar, realizar procedimentos, banhar, preparar para alta, fornecer informações, assim como ações, tais como: estar com, ajuda terapêutica, comunicação interpessoal, empatia, manutenção da integridade, entre uma infinidade de atos.” Waldow (2006) citada por Waldow (2008, p. 110), diz: que o cuidado não é somente uma técnica ou um procedimento, mas uma arte que pressupõe a técnica. Ou seja, o cuidado na enfermagem não pode ser entendido apenas como uma técnica ou um procedimento, mas como algo inerente a própria condição da enfermeira e do enfermeiro.Boff (1999, p. 33), diz que cuidado é mais que um ato; é uma atitude. Portanto abrange mais que um momento de atenção, de zelo e de desvelo. Representa uma atitude de ocupação, preocupação, de responsabilidade e de envolvimento afetivo com o outro.” Para Prado, Santos e Cubas (2009, p. 104), dizem que “o cuidado é ou deveria ser aquele que procura evitar a doença ou os agravos à saúde.” A partir destas três referencia, Waldow, que descrever o cuidado e o cuidado de enfermagem em um perspectiva mais voltada para o trabalho hospital, Boff, que fala do cuidado numa perspectiva mais teológica e existência e Prado, Santos e Cubas, que descreve o cuido numa perspectiva política e de saúde coletiva, podemos dizer que nós, Enfermeiros, podemos fazer para cuidar as pessoas que cuidam de alguém na comunidade o que cita Prado, Santos e Cubas. Segundo estes autores a população, de uma modo geral, “já desempenha o autocuidado em seu cotidiano, inclusive umas ajudando as outras, seja oferecendo ajuda direta, como , por exemplo, ajudando a cuidar de um parente ou vizinho doente, seja compartilhando receitas caseiras de chás medicinais. E cuidado de si mesmas: evitando comer sal para não aumentar a pressão arterial, higienizando uma ferida para evitar a infecção ou lavando frutas antes de ingeri-las. Dizem os autores que estes cuidados são quase inconscientes e que nós, enfermeiros profissionais podemos potencializar isto e desenvolver estas formas de cuidado na comunidade estimulando a solidariedade e a compaixão. E ainda algumas ensinar algumas técnicas comum à enfermagem. 

    REFERENCIAS 
    • WALDOW, Vera Regina. Bases e princípios do conhecimento e da arte da Enfermagem. Petrópolis: Vozes, 2008.
    • BOFF, Leonardo. Saber Cuidar, Ética do Humano - Compaixão Pela Terra. 4. ed. Petrópolis: Vozes, 1999. 
    • PRADO, Ernande Valentin; SILVA, Adilson Lopes; CUBAS, Marcia Regina. Educação em saúde: utilizando rádio como estratégia. 1. ed. Curitiba : Editora CRV, 2009.
    2. Como podemos aproveitar o trabalho voluntário da comunidade para qualificar e humanizar o serviço de saúde?

    Pessoas que se dispõem a fazer trabalho voluntarios na comunidade apresentam com certeza sentimento de amor ao próximo e solidariedade. E estes sentimentos são a base do cuidado. Waldow (2008), relata que o cuidado só se completa no outro. Só existe através do encontro. Citando Heidegger ela diz que cuidar é zelar, existir ao lado das coisas se dos seres, ter interesse, ser-com-os-outros que encontra no mundo. Portanto pode-se concluir que a pessoa que faz trabalhos voluntários vive o cuidado em plenitude. Muitas vezes, como fala Prado, Santos e Cubras (2009), de forma inconsciente. Nós profissionais comprometidos como cuidado podemos qualificar esse voluntário desenvolvendo seu compromisso “quase inconsciente” ao nível de consciência e orientando para  que trabalhe em parceria com o serviço de saúde. 

    REFERENCIAS

    • WALDOW, Vera Regina. Bases e princípios do conhecimento e da arte da Enfermagem. Petrópolis: Vozes, 2008 
    • PRADO, Ernande Valentin; SILVA, Adilson Lopes; CUBAS, Marcia Regina. Educação em saúde: utilizando rádio como estratégia. 1. ed. Curitiba : Editora CRV, 2009. 
    3. O que é cuidado: o que se faz, como se faz ou por que se faz?
    Sendo coerente como o que já foi desenvolvido para responder as outras perguntas e com os autores citado até o momento, podemos afirmar que o cuidado tem diversas facetas diferentes, porém complementares. O cuidado citado por Waldow (2008) revela-se como atitude para com o mundo e os outros e também como procedimentos e técnicas de Enfermagem. Já em Boff (1999) o cuidado é visto mais como uma atitude de preocupação com o mundo e o outros. E em Prado Santos e Cubas (2009) o cuidado é visto como uma forma de propiciar autonomia no outro e responsabilidade consigo mesmo e a comunidade.Todos os autores, mas especialmente Waldow frisa que o cuidado, mesmo o cuidado profissional de enfermagem não pode ser reduzido ao procedimento, pois este pode ser feito sem cuidado. Cuidar é mais que o procedimento ou a técnica de enfermagem. É uma forma de fazer ou mesmo deixar de fazer, mas sempre entendendo por que. 

    4. O que podemos fazer para cuidar das pessoas que necessitam de cuidados especiais: deficientes físicos e mentais, idosos, etc?

    O que podemos fazer para contribuir com o cuidado destas pessoas vai além das técnicas, pois se restringir a estas não chegará a ser cuidado. Isto não quer dizer que podemos desprezar as técnicas e os conhecimentos específicos da profissão. Deficientes físicos não são todos iguais. Pode-se ter dificuldade para andar e isto demanda um tipo de cuidado específico. Se a dificuldade for com os braços ou de visão demanda outros. Seja qual for a necessidade podemos buscar informações necessários para aprimorar nossos conhecimentos e cuidar melhor destas pessoas. O mesmo vale para deficiências d qualquer espécie ou necessidades motivadas pela faixa etária: idoso, criança, etc. Mas, como já frisado anteriormente, estes conhecimentos e estas técnicas podem ser desenvolvidas sem nenhum cuidado. Por isso é importante desenvolver a sensibilidade para perceber que as atitudes, as expressões e consideração com o próximo é fundamental, seja qual for as necessidade.
    Vasconcelos (2006) diz que a cura nem sempre é possível, mas que o cuidado é sempre possível. Por isso devemos ter em mente que não lidamos apenas com doenças. Isto é importante para deixar claro que nem só a pessoa com necessidades especiais são nosso foco, mas a família e a comunidade onde estas pessoas vivem. 

    REFERENCIAS 

    Vasconcelos, Eymard, Mourão. A espiritualidade no trabalho em saúde. São Paulo: HUCITEC, 2006.

    5. Crianças maltratadas são problemas do serviço de saúde?

    O conceito de saúde do SUS, expresso na lei 8.080/90 e claro ao dizer que saúde depende das condições de vida, ou seja, moradia, renda, educação, liberdade de expressão, segurança e acesso ao serviço de saúde.  Saúde é qualidade de vida. Prado, Santos e Cubas (2009) relacionam cuidado com promoção de saúde. Promover saúde e algo que se faz necessariamente de forma inter e transdisciplinar. Todas as esferas públicas e sociais são acionadas para promover saúde. Portanto, crianças maltratadas são sim um problema de saúde e nosso trabalho, na saúde, seja em nível hospitalar ou saúde coletiva, tem um potencial muito grande em descobrir e resolver este problema ou no mínimo encaminhar para outras entidades que possam amparar essas crianças, como o conselho tutelar, por exemplo. 

    REFERENCIAS 

    • PRADO, Ernande Valentin; SILVA, Adilson Lopes; CUBAS, Marcia Regina. Educação em saúde: utilizando rádio como estratégia. 1. ed. Curitiba : Editora CRV, 2009. 
    • BRASIL, Ministério da Saúde. Lei 8.080/90 – Lei Orgânica da Saúde.  Brasília: ministério da saúde, 1990.

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