06 dezembro, 2010

AVALIAÇÃO NA AGES

Ante de lecionar na Faculdade AGES o que sabia de avaliação é que era o momento de verificar se o aluno havia gravado tudo que ouviu do professor. Era, como fala Luckesi (2005), o momento do ajuste de contas entre professor e aluno. Em momento nenhum a prova poderia ser vista como uma etapa do processo ensino/aprendizagem para aluno e professor. Muito pelo contrario, a prova era um momento de tortura para o aluno e para o professor. Para o aluno porque tinha que lembrar tudo que aprendeu e a forma de provar que aprendeu era a memória pura e simples. E para o professor porque ia constatar que os alunos, em sua maioria, não haviam aprendido nada.

O método de avaliação da AGES é muito diferente do tradicional e proporciona uma outra relação para ambas as partes: alunos e professores. Para começar a prova é discursiva e com consulta. Isso pressupõe um outro tipo de avaliação, não mais centrada na memória, mas nas competência adquiridas ou não pelo aluno. Não é qualquer professor que consegue libertar-se do conteúdo puro e simples e elaborar uma prova em que o mais importante não é a memória, mas a capacidade em fazer relações entre os conteúdos estudados e os problemas da comunidade.

Neste método a prova continua sendo uma extensão da aula, pois possibilita mais que avaliar ou simplesmente avaliar, continuar aprendendo. Neste tipo de prova o aluno precisa ler o conteúdo proposto pelo professor ou não responde a prova. Mais que ler, o aluno precisa ler previamente às provas o texto, preferencialmente durante os estudos em sala de aula ou não conseguirá interiorizar os conteúdos e conceitos. Mas se o aluno não leu antes, ainda tem entre quatro e doze horas para fazer isto durante a prova e sendo assim ainda pode aprender alguma coisa.

A prova é aprendizado para o professor também, pois ele precisa se reinventar a cada avaliação. São três avaliações por turma, uma data oficial, uma data extra e uma segunda chamada. São muitas provas e isso exige que o professor extraia criatividade do fundo de sua alma. E nesta busca ele se aprimora em relação as competências que precisam ser desenvolvidas pelo estudante e por ele. Isso é tão verdade que a cada semestre o professor consegue desenvolver mais e melhores provas e sempre em um nível de complexidade maior ou diferente. Isso inviabiliza ou dificulta muito a cola. Esse não é um objetivo em si mesmo, mas um efeito benéfico do tipo de avaliação que se pratica na AGES.

Por último, a avaliação possibilita ao professor aprender com a produção do aluno. Quando a prova é bem elaborada não existe respostas padronizadas e o professor lê, conforme o tamanho de sua turma, 30 ou 40 textos diferentes. Mesmo considerando que nem todos os alunos encontram soluções originais ou impensadas pelo professor, é fácil encontrar 3 ou 4 textos surpreendentes e nestes o professor aprende, caso tenha o espirito aberto e compreensão do que disse Freire (2006): “o professor aprende ao ensinar e o aluno ensina ao aprender.”

Referência

· LUCKESI, Cipriano C. Por uma prática docente crítica e construtiva. Capítulo VII. (páginas 120-151) In: LUCKES, Cipriano C. Avaliação da aprendizagem escolar. 16. Ed. São Paulo: Cortez, 2005. 180 p.

· FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 44. Ed. São Paulo, Paz e Terra: 2006.

Um comentário:

Thiago Silva disse...

Realmente a avaliação da Ages é um enorme teste, tanto para alunos, quanto para professores. O professor criar inúmeras provas e com um alto nivel de complexidade que aborde todas as competências trabalhadas em sala de aula não é uma tarefa simples,tem que ser fera. E o aluno que conseguir abordar todas as competências em um único texto e ainda ter uma visão inovadora é fruto de muito estudo. Talvez esse método ainda não seja o ideal ,mas toda avaliação tem seus prós e contras, até o momento penso que esse método é mais positivo.