19 agosto, 2007

GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA

Esse texto foi originalmente escrito para o Programa Saúde Comunitária em 2004. É parte integrante do Trabalho de Conclusão de Curso:

EDUCAÇÃO EM SAÚDE UTILIZANDO COMO ESTRATÉGIA RÁDIOS COMUNITÁRIAS E RÁDIOS LIVRES
De:

ADILSON LOPES DOS SANTOS
ERNANDE VALENTIM DO PRADO
HERIVELTO WENHARDT ZARUR

Para ouvir o audio entre em contato pelo endereço eletrônico: nonada@pop.com.br


Gravidez na Adolescência


Olá. Agora o nosso programa é sobre gravidez na adolescência. Este é um daqueles assuntos difíceis de conversar, mas que é muito importante ser abordado, principalmente em nossas casas com nossos filhos, sobrinhos ou netos.
Para os adultos na maioria dos casos é dolorido ver uma adolescente grávida. Ainda mais quando é antes dos quinze anos. E realmente é uma situação complicada para a menina, o menino e suas famílias. Porém é preciso reconhecer que “algumas meninas engravidam por que assim o desejam. Porque alimentam um sonho de que estarão se realizando sendo mães, porque acreditam que é isso que o namorado quer, porque querem ser vistas como adultas etc[1].”
Seja qual for o motivo que leva um casal adolescente a engravidar, é preciso que ele esteja consciente das conseqüências. E para ter essa consciência é preciso debater com os jovens, e lhe mostrar quais são as conseqüências de um gravidez em suas vidas e quais são as outras opções.
É quase certo que uma gravidez na adolescência vai limitar a vida dos futuros pais e principalmente da menina. A gravidez pode trazer conflitos com o pai da criança e com as famílias dos dois. Pode instaurar conflitos existenciais e mostrar que as histórias de amor que sempre dão certas nas novelas nem sempre acabarem bem na vida real.
Os jovens pais vão ver também que sustentar uma criança custa caro: são alimentos, as vezes remédios e exames. São roupas que ficam sempre pequenas em muito pouco tempo. Sem falar que precisa acordar a noite para amamentar, trocar fraudas, carregar no colo, e por aí vai. Depois vêm as festas de aniversários, dia das crianças, páscoa. Cada data desta com apelo comercial por presentes caros. E ainda têm a escola com suas despesas. Por isso é preciso financeiramente se preparar para tem um filho. Não é mesmo?
E o tempo que era só seu, na gravidez vai ter que ser dividido, e com certeza a mãe é quem mais tempo vai perde.
Mas também a gravidez causa outras transformações: a barriga vai crescer, os pés vão inchar, manchas vão aparecer em seu rosto, você pode se sentir feia, não desejada pelo namorado, e a pior parte que são as náuseas e a urgências para fazer xixi.
Já tinha pensado nisto tudo antes?
Não queremos com isso dizer que ser mãe seja uma experiência horrorosa, pois não é. Quem já foi mãe sabe que é muito gratificante e recompensador gerar outra vida. Mas há tempo melhor para passar por essa experiência, e para a maioria dos casais não é durante a adolescência.
Mas as conseqüências de uma gravidez na adolescência não se resumem apenas aos fatores psicológicos ou sociais. A gravidez precoce põe em risco de vida tanto a mãe quanto o recém-nascido. “Na faixa dos 14 anos a mulher ainda não tem uma estrutura óssea e muscular adequada para o parto e isso significa uma alta probabilidade de risco para ela e para o feto. O resultado mais comum em uma gestação precoce é o nascimento de um bebê com peso abaixo do normal. O que exige cuidados especiais de saúde e acompanhamento do recém-nascido[2].”
“Hoje cerca de vinte por cento das crianças que nascem no Brasil são filhas de país adolescentes[3]”. Sendo que na maioria das vezes o casal não planejou esta gravidez e nem tão pouco têm condições financeiras e emocionais para assumir a criança. O que leva muitos casais a optarem por um aborto clandestino: “segundo dados da Organização Mundial de Saúde, dos quatro milhões de abortos praticados por ano no Brasil, um milhão ocorrem entre adolescentes. Muitas dessas adolescentes ficam estéreis e cerca de vinte por cento morrem em decorrência do aborto[4]“. E nós não queremos que isso aconteça com nossas filhas. Não é verdade?
Por isso temos que conversar muitos sobre este assunto com elas e eles.
A gravidez na adolescência acontece em todas as classes sociais. Porém os problemas gerados são maiores para a classe social mais baixa, que é também a classe onde a incidência de gravidez é maior. “A menina pobre, sem instrução, que começa a vida com um bebê no colo, dificilmente conseguirá mudar seu destino de miséria e ignorância[5].”
“Psicólogos, assistentes sociais, médicos e pedagogos concordam que a liberalização da sexualidade, a desinformação sobre o tema, a desagregação familiar, a urbanização acelerada, as precariedades das condições de vida e a influência dos meios de comunicação são os maiores responsáveis pelo aumento do número de casais adolescentes grávidos. E que o rigor religioso e os tabus morais internos à família, a ausência de alternativas de lazer e de orientação sexual específica contribuem para aumentar o problema[6].”
Mas o que podemos fazer para ajudar a resolver este problema?
Em cada cidade deveria existir um serviço de orientação sexual e planejamento familiar nas unidades de saúde. Também é preciso que haja disposição do sistema educacional para que a sexualidade possa fazer parte do debate escolar o ano todo, e não apenas em momentos esporádicos.
Deve-se exigir do poder público que sejam distribuídos camisinhas nas unidades de saúde e mesmo nas escolas. Pois este é o método mais fácil de evitar gravidez e também as doenças sexualmente transmissíveis.
Deve-se também debater nos conselhos de educação, conselhos de saúde, prefeitura e outros a criação de opções de lazer, cultura e entretenimento para a juventude. Pois maiores opção de conhecer outras pessoas e se conhecer, diminuem a incidência de gravidez na adolescência. E isso tudo depende da nossa atuação, seja sugerindo, impulsionando ou cobrando das autoridades.
Agora o mais importante de tudo, para o qual não há substituição: é preciso que os adolescentes tenham nos seus pais pessoas que lhes inspire confiança. E a melhor maneira de despertar isto em seus filhos é o diálogo. É estar próximo, ouvindo na hora certa e falando também na hora certa. E a hora certa nós só vamos saber ser estivermos acostumados a conviver de perto com o adolescente da nossa casa.
É claro que os adolescentes, na maioria das vezes vão preferir conversar com pessoas de sua idade, mas devem perceber que seus pais e parentes mais próximos estão disponíveis para conversar se eles assim quiserem.

Fontes:

VITALLE, Maria S. S.; AMÂNCIO, Olga M. S. Gravidez na adolescência. Disponível em: http://gballone.sites.uol.com.br/infantil/adolesc3.html Acessado em: 23 de out. 2003.

[1] CAVASIN, Sylvia. Gravidez na adolescência: um outro enfoque. Disponível em: http://www.intelecto.net/cidadania/gravidez.htm Acessado em: 23 de out. 2003.

[2] PAULECS, Veronika. Atenção à gravidez na adolescência. Disponível em: www.polis.org.br/publicacoes/download/index.html Acessado em: 23 de out. 2003.

[3] idem a 5.

[4] Idem a 5.

[5] VARELLA. Drauzio. Gravidez na adolescência. Folha de São Paulo. Editorial: Ilustrada. P. E 10. Edição: nacional 29 de jul. 2000. Disponível em: http://www.cemp.com.br/gravad.htm Acessado em: 23 de out. 2003.

[6] Item a 5.

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