02 maio, 2011

CONFRONTO DE HIPÓTESES - HISTÓRIA DA ENFERMAGEM

PROBLEMA:
Sedentarismo.

HIPÓTESE:
Sedentarismo passou a ser um problema de saúde a partir de estudos epidemiológicos que o relacionou as diversas doenças. Estas doenças, relacionadas ao sedentarismo,  passou a ser problema para enfermagem a partir da criação do SUS nos anos de 1980.

QUESTÃO DE APRENDIZAGEM:
Como a Enfermagem pode modificar o sedentarismo e desde quanto ele passou a ser um problema para enfermagem?

OBJETIVO DE APRENDIZAGEM:
Reconhecer as transformações e evolução ocorrida na enfermagem no século XX e conhecer todos os riscos e fatores que levam as pessoas ao sedentarismo.

RESPOSTA:

Oguisso (2007), diz que o desconhecimento da história da enfermagem, até pelo próprio profissional, causa desprezo pelo passado, como se apenas o futuro importasse. Ao longo dos anos, década e séculos os problemas de saúde se modificam. Modificam-se as formas de entender e praticar o cuidado. Mas o cuidado não deixa de ser necessário. Boff (1999) afirma que o cuidado foi e é fundamental. Waldow (2008), por sua vez, afirma que cuidar é a essência da profissão. Portanto o que fazemos, em diferentes contextos e tonalidades é cuidar.
Para cuidar verdadeiramente é preciso levar em conta as transformações e demandas de nosso tempo. É verdade que no período nômade, nos primórdios da humanidade o cuidado passava por aplacar as forças divinas, proteger de feras, alimentar, medicar, etc. No período cristão cuidar passou a ser sinônima de amor ao próximo, dedicação. No período moderno passou a ser  entendido como técnica necessária na complementação da medicina.
Mas a história não para. Há evoluções e involuções constantes. O século XX trouxe novas mudanças. A reforma sanitária impôs uma nova maneirar de ver o processo saúde/doença e uma nova forma de trabalhar na enfermagem e cuidar. Santos (2007), diz que nos anos oitenta a Enfermagem passou a ocupar cargos no serviço de saúde antes só ocupado por médicos e a poder impor novas formas de organização para o setor. Prado; Santos; Cubas (2009), dizem que cuidar é promover saúde.
O site Nutrição em Prática, diz que “sedentarismo pode ser definido como falta de atividade física suficiente e pode afetar a saúde da pessoa. A falta de atividade física não está ligada a não praticar esportes. Pessoas com atividades físicas regulares, como limpar a casa, caminhar para o trabalho, realizar funções profissionais que requerem esforço físico, não são classificados como sedentários. O sedentarismo acontece quando a pessoa gasta poucas calorias diárias com atividades físicas.”  Acrescenta ainda que o sedentarismo aumenta o risco de problemas cardíacos, diabetes, hipertensão, depressões e outros.
O sedentarismo nem sempre foi reconhecido como um problema de saúde. Mas isto não quer dizer que não fosse um problema de interesse, uma vez que cuidar é a tarefa da enfermagem. Se o sedentarismo provoca doenças de diversas maneiras. Se ele afeta o ser humano, então pode se dizer que ao menos desde o período Cristão ele é importante para no trabalho da Enfermagem. Pois, a história monstra, seja no livro de Oguisso ou de Geovanini, que a enfermagem no período Cristão e mesmo antes e depois, até a “invenção” do hospital terapêutico no século XVIII, dedicava-se a um cuidado amplo, que não se restringia de modo algum ao cuidado do corpo doente, mas, usando um conceito moderno,  a promover saúde. O cuidado era dedicado ao corpo, à alma e ao ambiente. No período Cristão, por exemplo, a enfermagem visitava as pessoas em suas casas e procurava prover todo cuidado necessário, não se limitando a doença. Oguisso (2007, p. 35), diz que “as ‘primeiras damas da lâmpada’ foram visitadoras domiciliares, verdadeiras percussoras da enfermagem de saúde pública, que surgiram no primeiro século do cristianismo.” Ainda acrescenta: “elas identificavam as necessidades, distribuíam recursos e ajudavam a emprega-los de forma mais adequada.” Oguisso (2007, p. 36).
Hoje, mais que em qualquer outra época a Enfermagem pode fazer um trabalho efetivo para contribuir com o fim do sedentarismo. Para isso precisa recuperar parte das atribuições que lhe eram naturais antes do surgimento do hospital terapêutico. Parte destas atribuições já nos foi legalmente devolvidas com a criação do SUS na década de 1980. Porém, por desconhecer a história e não conseguir ler o contexto político atual, grande parte da categoria ainda não percebeu isto.

CONFRONTO DE HIPÓTESES
Para o problema SEDENTARISMO foi levantada a hipóteses de que passou a ser um problema de saúde a partir de estudos epidemiológicos que o relacionou as diversas doenças. Estas, relacionadas ao sedentarismo,  passou a ser problema para enfermagem a partir da criação do SUS nos anos de 1980. Pesquisando a história da Enfermagem em Oguisso (2007) e Santos; Miranda (2007), o cuidado e as formas de cuidado em Boff (1999), Prado; Santos; Cubas (2009) e Waldow (2008),  foi possível perceber que a preocupação centrada no corpo doente é recente  na Enfermagem. Data do século XVIII e que antes disso, especialmente a partir do período Cristão, a Enfermagem não restringia o cuidado ao corpo ou ao doente, mas o tinha de forma muito ampla. Por isso a preocupação com o sedentarismo, caso este fosse um problemas de saúde reconhecido na época, seria de interesse da enfermagem desde sempre. No entanto a hipótese não estava totalmente errada, pois foi com o SUS na década de 1980, que a Enfermagem pode voltar a dedicar-se verdadeiramente a um cuidado amplo que não tem na doença seu único foco.

REFERENCIAS:
  • Boff L. Saber cuidar. Petrópolis-RJ: Vozes; 1999.
  • Prado EVd, Santos ALd, Cubas MR. Educação em saúde utilizando rádio como estratégia. Curitiba: CRV; 2009. 
  • OGUISSO T. Os percussores da enfermagem moderna. in: OGUISSO, T. Trajetória histórica e legal da Enfermagem. 2 ed. Barueri: Manole; 2007. 
  •  OGUISSO, T. Trajetória histórica e legal da Enfermagem. 2 ed. Barueri: Manole; 2007. 
  • O que é sedentarismo. Disponível em: Acessado em: 01 de mai. 2011. 
  • Santos; ÁdS, Miranda SMRCd. A enfermagem na gestão em atenção primária à saúde. 1 ed. Barueri-SP: Manole; 2007. 
  • Waldow VR. Bases e princípios do conhecimento e da arte da Enfermagem. Petrópolis: Vozes; 2008.

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