07 março, 2011

TEXTO DA ADEMÁRIA

Fatos reais

Ademária Lins Andrade(1)
Na cidade de Fátima-Ba, Dona Josefa foi abandonada pelo seu esposo justamente quando mais necessitava de uma companhia, pois os problemas de saúde já lhe possuía. Não tinha mais os movimentos do corpo devido a um problema de nervo que não permitia que realizassem as atividades do dia a dia, não tinha ninguém para cuidar dela nem mesmo filhos, pois Deus não lhe concebeu esta graça. Estava sozinha, abandonada sem cuidado algum. De repente apareceu uma mulher abençoada por Deus que nem fazia parte de sua família. Ela se chama Aparecida, quando viu a situação de vida de dona Josefa decidiu leva-la para sua casa e cuidar. Com o beneficio da aposentadoria ela construiu um quartinho no fundo de sua casa para abrigá-la. Até hoje Aparecida cuida da mulher oferecendo todo carinho e amor como se ela fosse uma pessoa intima da família, atribuindo cuidados tais como: limpeza, alimentação, preocupação e afeto. Tem tanta dedicação com a senhora que na maioria das vezes deixa de fazer coisas de lazer, como passeio, visitas as amigas e outras coisas, para não deixar a Senhora sozinha.
Percebe-se que esta mulher (Aparecida) teve dedicação, e imensa solidariedade, assim, como afirma Waldow (2008, p.73) “o cuidado é uma característica do ser que o qualifica como provido de humanidade [...] o cuidado se manifesta na presença do outro”. Logo, para cuidar, necessitamos estar presente oferecendo apoio e atenção. Torralba (2002) in Waldow (2008,p.63) afirma que o cuidado é: “uma responsabilidade ética, pois tem o dever moral de responder à necessidade do seu próximo”. Assim quando ofertamos cuidado ao outro sempre estamos de acordo com que este necessita, como no caso de Aparecida que percebeu que a Dona Josefa precisava de uma pessoa para poder lhe ajudar a realizar até mesmo suas necessidades fisiológicas.
O ser humano desde os primórdios já apresentava o cuidado com o próximo. Portanto, a arte de cuidar permeia as gerações desde a antiguidade à contemporaneidade. Logo, o cuidado não esta relacionado apenas a Enfermagem, mas  se estende por todas as áreas e toda sociedade. Assim o cuidado é percebido em um simples olhar, preocupação, atenção e solidariedade e demais atitudes da vida humana. Na Enfermagem foi estabelecido um saber que se relaciona com a técnica ou procedimento, porém o cuidado não se manifesta dependendo da forma que estes procedimentos forem realizados, como afirma Waldow (2008, p.69) “o que diferencia o cuidar do procedimento é a preocupação, o interesse, a motivação, o expresso em um movimento, o impulso que nos dirige no sentido de fazer algo para ajudar” Assim se apenas realizo o procedimento de um curativo sem interação com o Ser, não manifesta o cuidado, ou seja, a técnica deve esta acompanhada de atenção, interesse e gestos que demonstre o cuidado.

Fazendo uma relação do cuidado com a Enfermagem, é possível perceber que o ato de cuidar deve se manifestar em todas as atividades humanas e principalmente quando uma pessoa precisa de um cuidado de Enfermagem, pois estas então de certa forma mais carente devido sua enfermidade. Então no livro Saber cuidar ética do humano- compaixão pela terra, Boff (1999),  traz uma visão de cuidar num sentido mais abrangente, como um todo, ou seja, o cuidado da humanidade, animais, planta e enfim a terra. Afirma que os sintomas mais dolorosos da época é o descuido, o descaso, e abandono, a falta de cuidado. E ainda continua a dizer que “cuidar é mais que ato é uma atitude.” Desta forma o enfermeiro como um bom profissional deve se organizar com sua equipe para realizar visitas ás famílias, que necessitam de apoio para cuidar de uma pessoa, como no caso de Aparecida que se dispôs a ajudar a mulher que não tinha quem cuidasse. O enfermeiro deve oferecer cuidados no serviço de saúde como: acompanhar o uso de medicamentos, fazer avaliações físicas, nutrição, entre outros, que possam ajudar a família.

Segundo Waldow (2008. p.66) “o cuidado é uma ação moral para satisfazer, aliviar, ajudar, confortar e apoiar.” Em virtude disto o profissional de enfermagem deve buscar um vínculo com o cuidador e o ser cuidado, seja ela internada ou mesmo em sua residência, para que possa ajudar a amenizar o sofrimento de ambas as partes. E ainda organizar ações mais amplas, para resolver ou procurar meios de solução de um determinado problema na sociedade, como fazer projetos comunitários, grupo de apoio aos familiares, conselhos, e palestras que sensibilize a população. Como no caso de Aparecida, deve ser feito visitas que lhe ajude a cuidar de Dona Josefa, orientado o uso do medicamento, os melhores tipos de alimentação e outros.  Pois a enfermagem é definida como “uma ação social, com atividade realizada por pessoas que cuidam de outras procurando manter a vida sadia, evitar ou amenizar a doenças, proteger o meio ambiente e prepara-los para o desenlace da vida perante a morte.”( LIMA, 2005, P.31)

Um profissional que toma suas atitudes é considerado um bom profissional, pois temos livre arbítrio para trabalhar da melhor maneira possível, usando em todo o momento o conceito de saúde da Lei 8080/90 que diz que a saúde esta relacionado com as condições de vida, ou seja, alimentação, moradia, emprego, lazer, liberdade de expressão, organização social e acesso a terra, só assim a população vai ter plena consciência dos direitos humanos para obter saúde.  Waldow (2008), afirma que o Enfermeiro que apenas realiza procedimentos não sabe cuidar.

(1) Estudante do curso de Enfermagem na Faculdade Ages, II período

REFERÊNCIA
BOOF, Leonardo. Saber cuidar ética do humano- compaixão pela terra. 12ª ed. Vozes. Petrópolis, RJ, 1999.
BRASIL, Ministério da Saúde. Lei 8080/90 – Lei Orgânica da saúde. Brasília: Ministério da Saúde. 1990.
LIMA, Maria José de. O que é enfermagem. 3ª ed. Editora brasiliense. São Paulo, 2005.
WALDOW, Vera Regina. Bases e princípios do conhecimento e da Arte da Enfermagem. Vozes, Petrópolis, RJ; 2008.

Um comentário:

Raquel Bianca disse...

ta de parabéns a aluna !