28 março, 2011

RESENHA DA MARIA APARECIDA

Há alguns meses, adquiri o seu livro, Educação em saúde utilizando rádio como estratégia, e vivia procurando um tempinho para lêr. Quando finalmente chegou o dia de começar e também de terminar essa tão esperada leitura.
Sempre soube que se tratando de sua pessoa algo me surpreenderia mais cedo ou mais tarde e não foi diferente. Entretanto esta surpresa partiu de onde menos esperava. Pois pensava encontrar nos relatos da sua obra, feitos muito excêntricos, assim como a sua pessoa e encontrei. Mas não onde eu esperava, pois fui surpreendida pelo resultado produtivo de ações tão simples.
O exemplo do uso do rádio, este meio de comunicação tão popular e acessível como propagador de informações relacionadas à saúde. O rádio tem passagem na vida de quase todas as pessoas: da dona de casa, que aguarda a receita do bolo ou do chá medicinal, da moça sonhadora que espera ansiosa o momento de ouvir a voz do seu locutor preferido, o saudosista que anseia a tempos por ouvir aquela canção antiga que a muito ninguém toca... Enfim quase todos nós, temos uma estória com este velho e fiel amigo.
Porém o resultado obtido com o uso do rádio como multiplicador de informações de saúde, aumentando o raio de atuação das Equipes de Saúde da Família de forma rápida, sem que os profissionais que a compõem estarem em vários lugares ao mesmo tempo. Fiquei surpresa e me perguntei: como foi que eu nunca pensei nisso antes?
A primeira vista poderemos pensar que algo mais sofisticado como a televisão, seria mais atraente, pois a tecnologia atrai nem que seja por curiosidade e isso poderia ajudar a manter a assiduidade dos usuários. Porém a sua obra me fez ver uma coisa que, apesar de estar explicita pode passar despercebido: a constatação de que o simples rima com a simplicidade e cada um se sente mais acolhido no seu mundo. Assim sendo,se algo muito elaborado  chegasse a esse público, poderia fazê-los sentir-se deslocados. Por isso o uso de um meio popular como o rádio, aliado a linguagem simples certamente levou ao êxito do projeto.
A obra chama a atenção para uma situação equivocada, ainda muito praticada por muitos profissionais de saúde. O qual se embasa na ideia que ajudar o outro é fazer tudo no lugar dele, é carregá-lo nas costas. O que torna os usuários dependentes, tirando-lhes a autonomia pessoal.
Há pouco tempo ouvi uma enfermeira que trabalha no PSI (Programa da Saúde Indígena), falar que o atendimento prestado aos indígenas pela FUNAI e FUNASA foi tão paternalista que os deixou travados e totalmente da equipe de saúde. Chegando ao ponto das mães indigenas só levarem suas crianças para a vacinação de rotina se o carro da equipe não vier buscá-los para leva-las ao posto de saúde . Tal situação é um bom exemplo para confirmar o que foi dito na obra a respeito de atuação de equipes de saude que prestam um tipo de assistência, que não promove a autonomia nem leva ao crescimento dos usuários.

“Não faça tudo pelo outro como se ele fosse uma criança. Ajude mas não substitua. Quem ama respeita os caminhos próprios do outro.
Plante sementes e acredite na força que elas mesmas têm para germinar, florescer e frutificar. Você pode estar sendo uma excelente ocasião, mas é só uma ocasião”. Frei José  Carlos OFM



Abordado no último capítulo da obra, o cuidado foi relembrado oportunamente. Pois é algo fundamental a sobrevivência humana e de todas as espécies vivas. Conforme foi colocado, tudo é cuidado desde que tenha por finalidade cuidar, mesmo que seja feito a distância.
Os relatos de sua obra  surpreenderam- me pelo inesperado, pois eu esperava algo muito elaborado e fui surpreendida pela versatilidade existente nas coisas simples. Pois somente alguém tão brilhante e ao mesmo tempo tão modesto como voce, poderia enxergar tantas luzes no fim dos túneis desse nosso mundo cheio de mistérios.”



“Nenhuma pessoa é uma ilha   
Toda pessoa é um pedaço do continente, uma parte do todo
A morte de qualquer pessoa diminui-me de alguma forma porque faço parte da sua humanidade   
Nunca perguntes, pois, por quem os sinos dobram
Eles dobram por ti. John Donne


Ass.: Aparecida (ex-aluna do curso de enfermagem da Faculdade Ages)

Um comentário:

Raquel Bianca disse...

não cheguei a ler seu livro todo, mas baseado em quem escreveu ja dava para imaginar que era muito bom, você como sempre está de parabéns
beijos