11 janeiro, 2011

FÉRIAS E OS TRABALHADORES DO BRASIL

Depois de cinco anos voltei a minha antiga cidade, Fazenda Rio Grande, Região Metropolitana de Curitiba. E o que percebo nesta cidade, mais que em qualquer outra por onde tenho passado, é que os oito anos de governo Lula, oito anos de PT - Partido do Trabalhadores no governo federal, fez um grande deserviço à classe trabalhadora. Fez o que nem o PSDB ou o Democratas conseguiria fazer: AFASTOU O TRABALHADOR DA POLÍTICA.

Fui filiado ao PT por quase 15 anos. Eram tempos de intensa militância. Trabalho constante que se fazia 24 horas por dia, 7 dias na semana. Quadros profissionais não haviam ou haviam muito poucos. Quem pegava no pesado: distribuía panfletos, pintava muros, batia de porta em porta eram os militantes, os trabalhadores que depois de sua jornada de trabalhado pagava o dizimo ao partido lutando pela superação do capitalismo.

Hoje os quadros partidários foram substituídos pelos cabos eleitorais. Não há trabalho político, mas apenas campanhas políticas onde o trabalhador que participa é quase sempre o desempregado em troca de remuneração. Trabalha-se oito horas por dia fazendo campanha em troca da remuneração financeira paga com dinheiro dos financiadores de campanha e os financiadores não são trabalhadores, mas os patrões e quem paga é quem manda. A vitória, quando há, é do candidato, cada vez mais personalista, cada vez mais desligado do trabalhador e do partido. E este fica devendo não ao militante, não ao trabalhador, mas ao patrão e paga com certeza prestando serviços personalizados.

Adversários de ontem são os novos companheiros de hoje. Dono de imobiliária, empresários que exploram a mais valia como direito sagrado, proprietários rurais que mandam atirar em qualquer coisa que se mova em baixo ao em cima da cerca. Poluidores e ambientalistas de fachada sempre dispostos a fazer um acordo. Oportunistas de toda ordem são hoje eleitos pelo PT.

E o trabalhador? Este foi afastado das decisões, da militância e sabe cada vez mais que os PARTIDOS SÃO TODOS IGUAIS, servem apenas para eleger as figuras carimbadas e as excessões são raras. Do modo como se configuram as eleições não há mais espaço para trabalhadores que fazem campanhas decentes e honestas baseadas em compromisso de classe.

O Partido em que trabalhadores participam da política acabou, mas terá que ser reinventado um dia, pois não há disputa de poder sem partidos e os trabalhadores não podem ficar de fora desta disputa.

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