29 junho, 2010

LEITURA E ESCRITA: ELEMENTOS FUNDAMENTAIS NO DESEMPENHO ACADÊMICO

Maria da Piedade Andrade do Rosário [1]

Desde muito tempo que as pessoas têm dificuldade de passar com clareza suas idéias para o papel, isto acontece devido à falta de informação sobre determinado assunto. Então é importante entender que a leitura é a base para produção de bons textos. Não há como escreve bem, sem praticar o ato de ler.


Durante o primeiro semestre do Curso de Enfermagem da Faculdade AGES de 2010.1, percebeu-se a dificuldade que a maioria dos alunos tinha de escrever. Esta observação foi feita na disciplina de Seminário Integrado Processo Saúde/Doença cuidado na política e organização dos serviços de saúde pelo Prof. Ernande Valetin Prado através de casos de estudo, formativas, avaliações e produções acadêmicas. Após o resultado das avaliações de 100%, o professor, pediu que eu, Maria da Piedade Andrade do Rosário, também acadêmica do I período de Enfermagem e já graduada no Curso de Letras Vernácula, ajudasse a algumas alunas a produzirem textos mais coesos. E foi a partir daí, que no dia 14 de junho de 2010, às 19 horas no PAEBS analisei as provas das minhas colegas. Após pontuar os principais problemas apresentados (coesão, coerência, regras gramaticais – pontuação, ortografia, regência - dificuldades de fundamentação teórica) orientei que reescrevessem a avaliação. A introdução foi reescrita e corrigida, porém o desenvolvimento e conclusão poderiam mandar para meu e-mail para que as acompanhassem.


Segundo Koch, (2001, p. 21):

A coerência está diretamente ligada à possibilidade de se estabelecer um sentido para o texto, ou seja, ela é o que faz com que o texto faça sentido para os usuários, devendo, portanto, ser entendida como um princípio de interpretabilidade, ligada à inteligibilidade do texto numa situação de comunicação e à capacidade que o receptor tem para calcular o sentido deste texto. Este sentido, evidentemente, deve ser do todo, pois a coerência é global.

É importante lembrar que a coerência textual relaciona-se com a coesão do texto, uma vez que, “por coesão se entende a ligação, a relação, os nexos que se estabelecem entre os elementos que constituem a superfície textual” (Koch, 2001, p.40). Todavia, a coesão não é suficiente para atribuir sentido ao texto, essa atribuição cabe à coerência. Com isso, “podemos dizer que a coerência dá origem à textualidade, entendo-se por textualidade “aquilo que converte uma seqüência lingüística em texto” (Koch, 2001, p.45). Dessa maneira, o texto será incoerente se “ seu produtor não souber adequá-lo à situação, levando em conta a intenção comunicativa, objetivos, destinatário, regras sócio-culturais, outros elementos da situação, uso dos recursos lingüísticos, etc. Caso contrário, será coerente”(Koch, 2001, p.50).

A pontuação não é no papel uma contraparte cabal da distribuição dos grupos de força da comunicação falada, e constitui a rigor um caráter próprio da exposição escrita. (Mattoso, 2001, p.57)


Nesse sentido, o uso de pontuação nos textos escritos é fundamental para que o leitor possa ter uma melhor compreensão. Sem falar que o uso inadequado de pontuação pode transmitir uma idéia totalmente distorcida do que realmente se quer passar. O uso incorreto da ortografia e regência também prejudica o bom desenvolvimento de um texto escrito. Portanto, o uso correto destas regras gramaticais pode ser adquirido através da prática de leitura, do estudo da gramática e da prática da escrita.


É sabido que, ao escrevermos qualquer texto estamos colocando idéias de autores que estudaram muito e nos fizeram conhecer tal assunto. Dessa forma, é importante citá-los em nossas produções, uma vez que ainda não estamos aptos a construirmos nossas próprias idéias. Mas, muitos alunos acabam se apropriando das idéias aléias, sendo considerado plágio. Isto acontece também devido à falta de leitura.

Conforme Mattoso (2001, p.61):

A arte de escrever precisa assentar, analogamente, numa atividade preliminar já radicada, que parte do ensino escolar e de um hábito de leitura inteligentemente conduzido; depende muito, portanto, de nós mesmos, de uma disciplina mental adquirida pela autocrítica e pela observação cuidadosa do que outros com bom resultado escreveram.

Nessa forma, o ato de ler depende de cada um de nós. É preciso se organizar para dispor de tempo de praticar esta atividade tão importante em nossa vida. Pois escrever bem implica em ler bastante. Com isso, a escrita é importante antes, durante e depois da universidade. É através dela que podemos produzir excelentes trabalhos acadêmicos, avaliações durante o curso de Enfermagem e após o curso iremos utilizá-la na nossa profissão com freqüência ao fazermos as observações no prontuário do paciente. Portanto, enfermeiro precisa saber escrever bem com coesão e coerência.


[1] Aluna do I período do Curso de Enfermagem da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais AGES, também graduada em Letras Vernáculas pela mesma instituição de ensino. Atualmente, trabalha na Secretaria Municipal de Educação como Supervisora de Ensino e aos domingos participa como voluntária do Projeto Caravana da Saúde que é uma realização da Secretaria Municipal de Saúde de Paripiranga.


REFERÊNCIA

KOCH, Ingedore Vellaça e TRAVAGUA, Luiz Carlos. A coerência textual. Ed. 12. São Paulo: Contexto, 2001.

CAMARA JR, Joaquim Mattoso. Manual de expressão oral e escrita. Ed. 21. Petrópolis: Vozes, 2001.

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