23 março, 2010

SI: PROCESSO SAÚDE/DOENÇA CUIDADO NA POLÍICA E ORGANIZAÇÃO DOS SERVIÇOS DE SAÚDE - PROVA 2 - 40%

CASO 1:

OMS constata que atual geração pode ter expectativa de vida menor[1]

da Efe, em Genebra

A atual geração de crianças "poderia ser a primeira em muitíssimo tempo a ter uma expectativa de vida menos elevada que a de seus pais", disse hoje a diretora-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde), Margaret Chan.

Na abertura da primeira reunião dos participantes da rede mundial contra as doenças não-transmissíveis, Chan lembrou que essas doenças se concentram cada vez mais em pessoas jovens e inclusive em crianças que podem sofrer de hipertensão e alguns tipos de câncer.

A responsável da OMS acrescenta que nada menos que 43 milhões de crianças em idade pré-escolar sofrem de obesidade ou sobrepeso, uma condição que gera riscos para a saúde ao longo de toda a vida e despesas médicas potencialmente elevadas.

Em seu discurso perante representantes de governos, centros de pesquisa, entidades filantrópicas e empresas que participam da reunião, a diretora da OMS ressaltou que as doenças não-contagiosas foram consideradas próprias típicas de países ricos, o que não se aplica mais na atualidade.

Ela disse que esses males estão agora "fortemente concentrados" nos países de renda média e baixa e nos grupos mais pobres dentro deles.

Segundo os dados da OMS, seis em cada dez mortes que ocorrem por dia no mundo se devem a doenças não-contagiosas, das quais é possível se prevenir e para algumas das quais existem tratamentos. Os especialistas asseguram que uma quarta parte das mortes atribuídas a essas doenças poderiam ser evitadas com medidas de prevenção adequadas.

No total, 35 milhões de pessoas morrem por ano por causa dessas doenças, entre elas: problemas de coração, derrames cerebrais, diabetes, câncer, doenças respiratórias crônicas e distúrbios mentais. Até 80% dessas vítimas se encontra em países em desenvolvimento, onde os quatro grandes fatores de risco (fumo e consumo de álcool, alimentação inadequada e sedentarismo) tendem a aumentar.

O mesmo vale para os fatores biológicos de risco: aumento da pressão arterial, do colesterol, da glicose no sangue e um alto índice de massa corporal (medida calculada em função da estatura e do peso da pessoa). Essa constatação derruba o mito de que as doenças não-contagiosas afetam principalmente os países ricos.

O SUS – Sistema Único de Saúde[2] tem um conceito de saúde amplo que engloba os condicionantes e determinantes de saúde, ou seja, o modo de descrever a saúde/doença no Brasil passa necessariamente pela compreensão de que emprego e renda, lazer, moradia, fatores ambientais, culturais e sociais, entre outros, são importantes para determinar a saúde e a qualidade de vida das pessoas. Não se trata de negar a condição biológica, que como se sabe é fundamental, mas de entender o ser humano como sendo mais que o conjuntos de respostas biofisicas. As condições de vida e saúde da população está[3], segundo o texto, OMS constata que atual geração pode ter expectativa de vida menor, piorando e isso representa um contra-senso em relação ao que se imaginariam do poder da ciência contemporânea. O que ta afetando a qualidade de vida das pessoas hoje é justamente as condições criadas pelas tecnologias e a modernidade que prometia felicidade eterna, ou seja: sedentarismo, vícios, violência e, sobretudo alimentação inadequada. Tendo como base seus conhecimentos prévios, livros, artigos e filmes indicados, a pesquisa realizada em seu município e as discussões de sala de aula, elabore um texto com introdução, desenvolvimento e conclusão discorrendo sobre a importância de conhecer os determinantes e condicionantes do processo saúde/doença[4] em seu município para conhecer e intervir nos fatores que estão colocando em risco a expectativa de vida da população. Deve enfatizar como sua cidade está fazendo para enfrentar esses problemas, que como citado afeta especialmente a população mais carente de informações.




[1] Disponível em: Acessado em: 23 fev. 2009.

[2] BRASIL, Ministério da Saúde. Lei 8.080/90 – Lei Orgânica da Saúde. Brasília: ministério da saúde, 1990.

[3] MINAYO, Maria C. S. Saúde e doença como expressão cultural. In: AMÂNCIO FILHO, Antenor; MOREIRA, Maria C. G. B. (Org.). Saúde, Trabalho e Formação Profissional. Rio de Janeiro: FIOCRUZ, 1997. 138p.

[4] PRADO, Ernande Valentin; SILVA, Adilson Alves; CUBAS; Márcia Regina. Educação em saúde utilizando rádio como estratégia. Curitiba, CRV: 2009. Parte 1: A saúde que entendemos.


RESPOSTA POSSIVEL

A IMPORTANCIA DOS DETERMINANTES DE SAÚDE

Ernande Valentin do Prado[1]

O texto da Folha de São Paulo, OMS constata que atual geração pode ter expectativa de vida menor, é muito preocupante por evidenciar de forma clara que os determinantes da vida moderna estão causando danos à saúde da população, sobretudo de jovens e crianças.

Precocemente as crianças estão expostas a riscos desnecessários de contrair doenças que antes só se verificavam em adultos e idosos, ou seja, hipertensão, diabetes, sobrepeso, câncer, alteração nos níveis de colesterol e muitas outras.

Embora o texto citado traga referencia as doenças, é importante entender os problemas além da visão simplista do modelo biomédico. A reportagem menciona que entre as causa desta situação estão fumo, consumo exagerado de álcool, alimentação inadequada e sedentarismo. Ou seja, na base das doenças que estão matando 25 milhões de pessoas no mundo todo estão os condicionais de saúde, ou seja, a forma como as pessoas vivem, produzem e resistem e subsistem no mundo.

O relatório da OMS aponta que a tendência da situação é piorar, pois “43 milhões de crianças em idade pré-escolar sofrem de obesidade ou sobrepeso, uma condição que gera riscos para a saúde ao longo de toda a vida e despesas médicas potencialmente elevadas.”

Os determinantes da saúde apontados no relatório da OMS não são estranhos a população brasileira. Desde a criação do SUS em 1990 a saúde do cidadão é entendia a partir de seus determinantes e condicionante. A lei 8.080/90 diz que a saúde depende de moradia digna, educação, emprego e renda, acesso a bens e serviço, lazer, cultura, serviços de saúde resolutivos e outros. Minayo (1997) diz que essa forma de entender a saúde/doença não é estranha a população, pois ela sente os efeitos dos condicionantes na própria pele. Diz ainda que essa compreensão é mais difícil de encontrar nos profissionais de saúde, pois estes têm uma visão centrada na doença e não no sujeito e na saúde.

Diante do exposto pode se inferir que para ter uma compreensão mais ampla dos problemas de saúde, resolutiva por ser preventiva, deve se afastar o máximo possível da visão hegemônica, ou seja, do modo de entender saúde/doença e as funções do serviço de saúde.

Por mais bem equipado que for um hospital ou um centro de saúde; por mais competente que possa ser um Enfermeiro, nem o hospital nem o profissional vai conseguir resolver a situação descrita. E é justamente aí que está à importância de conhecer os determinantes e condicionantes da saúde humana. Conhecendo as causas, o que determina, o que condiciona a existência presente e futura do sobrepeso, da diabetes, da hipertensão, podemos intervir ou ao menos tentar intervir e prevenir que aconteça. Podemos organizar e reorientar o serviço no sentido de prevenir ou ao menos tratar melhor os casos encontrados. Podemos ir às escolas, as igrejas, as creches, as câmaras de vereadores debater formas de organizar a cidade de forma mais saudável. Podemos alertar a população e as autoridades fazendo conferências, mesas redondas, informando em reuniões, nos meios de comunicação, como as rádios, jornais, revistas e internet.

Em minha cidade, Paripiranga, ainda não se percebe esta preocupação na gestão dos serviços de saúde. A percepção dos fatos até o momento indica que a gestão do setor saúde vê nos atendimentos dos profissionais de saúde, sobretudo do profissional Médico, a solução para os problemas da população. Ainda não perceberam o que disse Werner e Bower (1987, p.5-6) in: Prado Santos e Cubas (2009, p. 31): “a situação de saúde do povo depende mais das estruturas sociais do que propriamente de fatores ambientais” ou dos equipamentos ou seja, de hospitais, postos de saúde e máquinas e raio x ou eletrocardiogramas.

Ao que parece o legislativo e a administração municipal não levam em conta os determinantes, pois não se investe em alimentação saudável nas escolas, não propiciam investimentos que possibilitem a população circular a pé pela cidade ou incentivar os exercícios físicos. Também não há nenhum trabalho no sentido de aproveitar as festas, comuns durante todo o ano, para prevenir abuso de álcool, conscientizar sobre as questões ambientais e outras. Isso demonstra claramente que poucos ou nada esta sendo feito para investir no futuro do cidadão Paripiranguense.

REFERÊNCIAS

  • PRADO, Ernande Valentin; SILVA, Adilson Alves; CUBAS; Márcia Regina. Educação em saúde utilizando rádio como estratégia. Curitiba, CRV: 2009.

  • BRASIL, Ministério da Saúde. Lei 8.080/90 – Lei Orgânica da Saúde. Brasília: ministério da saúde, 1990.

  • GRANJA, Gabriela Ferreira. Equidade no SUS – Uma abordagem da teoria fundamentada. Dissertação de Mestrado. USP - Universidade de São Paulo, 2008.
  • MINAYO, Maria C. S. Saúde e doença como expressão cultural. In: AMÂNCIO FILHO, Antenor; MOREIRA, Maria C. G. B. (Org.). Saúde, Trabalho e Formação Profissional. Rio de Janeiro: FIOCRUZ, 1997. 138p.
  • OMS constata que atual geração pode ter expectativa de vida menor. Disponível em: Acessado em: 23 fev. 2009.

[1] Enfermeiro Sanitarista, Professor de Bases para o cuidado de Enfermagem e História da Enfermagem – Faculdade AGES: Paripiranga/Bahia. Membro da Rede de Educação Popular e Saúde. Autor do Livro: Educação em saúde utilizando rádios como estratégia lançado em 2009 pela editora CRV.

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