21 outubro, 2009

PENSANDO SENTADO NA PEDRA VI

Tenho um comportamento dentro de sala de aula que sempre tive no serviço e na vida:
"O que não da para fazer para todos não faço para ninguém."
Porém essa é uma posição difícil de manter, pois as pessoas, de um modo geral, não aceitam essa postura. Todos concordam que as filas devam ser respeitas que as normas devem ser seguidas, que o rigor deve ser o mesmo para todos, porém concordam até que tenham que se enquadra ou melhor, até perceber que essa norma também lhe diz respeito e não só para os outros. E é ai o maior problemas. Ninguém quer ser tratado "como são tratados os outros." Não percebem que para os outros, os outros somos nós.

Minha postura ética impede-me de passar informações ao pendriver de um aluno ou aluna, pois sei que não posso fazer isso para todos ou então não conseguiria dar aula. Por mais que explique isso todas as aulas ainda há alunos que insistem e se irritam com essa postura.
Por mais que explique e insista que não dá para fazer chamada a cada dez minutos, que não é possível alterar a chamada cada vez que um aluno ou aluna entre ou saia da aula, sempre veem com o mesmo discurso: "mas acabei de chegar. É absurdo estar em sala de aula e ficar com falta."
Não conseguem ver o absurdo que é se preocupar com a falta e não com a perda ou o ganho das competência, sobretudo da competência de se ver em um ambiente coletivo, onde os problemas particulares não devem ficar o tempo todo interferindo. E perceber ainda que esses e outros problemas individuais precisam ser resolvidos em outros ambientes e momentos.

A mesma coisa digo em relação a ler textos em sala de aula. Sempre querem que seu texto seja lido em sala ou durante o intervalo. Ainda frisam: “mas é pequeno e é só o meu. Não custa nada”.
Para essas leituras existem prazos contratados. Passados estes prazos fica inviável para todos e não só para este ou esta ou aquele e aquela.
É muito comum só escrever as vésperas das provas e, com um senso de urgência que não privilegia a vida e sim a prova, precisar da avaliação naquela momento específico. Mas a vida não é feita só de provas. O professor tem um vida que precisa ser respeitada. Por incrível que possa parecer e por mais inacreditável que seja, o professor não tem só um aluno ou só uma turma ou só sua atividade de ensino. O Professor, como qualquer ser humano, como o aluno e a aluna, por exemplo, tem mil outros interesses e obrigações, como cuidar de sua família, ler poesia, ver filmes e tem que cuidar de sua casa, limpar o quintal, fazer compras, etc.

Tem coisas que não dá, não pode ser feito. E espero que um dia esse testemunho seja compreendido.

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