12 fevereiro, 2009

ESTRUTURA PARA O SERVIÇO DE ESF

Para que um serviço ou uma estratégia funcione é muito importante que se pense na estrutura de suporte. Não apenas na estrutura física ou material, mas principalmente na estrutura humana. Básica essa afirmação. Todos que trabalham na saúde sabem disso. Ninguém discorda, nem profissionais, nem gestores, prefeitos ou vereadores. Mas vamos aprofundar um pouco isso.

O antigo PSF – Programa de Saúde da Família, que agora se transformou em ESF – Estratégia Saúde da Família, quando foi lançado lá nos anos noventa, ressentia de uma estrutura de trabalho consistente, que ainda hoje não tem na maioria das cidades do Brasil. E que quando tem não é em numero ou condições satisfatórias. Mas antes de resolver esse problema da falta de estrutura física e material ainda tem que resolver problemas mais sérios. Ainda não há mão de obra capacitada para executar a estratégia como se deve e, neste caso, seria um grande desperdício por uma estrutura sofisticada nas mãos destes profissionais, pois não saberiam o que fazer com ela.

Estou falando em profissionais de saúde: Enfermeiros, médicos, dentistas, técnicos, Agentes de saúde, psicólogos, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, assistentes sociais, profissionais de educação física. A esmagadora maioria não conhece o que é a estratégia saúde da família. Alguns têm uma idéia preconcebida e dizem não gostar.

Muitos trabalham na estratégia enquanto esperam outra oportunidade nas áreas que julgam melhores. E aí aparece um outro problema sério: gestores que não estão preparados para administrar a estratégia. E assim todos vão tocando o serviço como sabem como podem ou como querem e no fim acabam convencidos e convencendo boa parte da população que ESF é isto que eles fazem.

Foi opção do gestor nacional começar a estratégia sem ter profissionais capacitados. E nem havia como ser diferente. Ou era assim ou não teríamos saúde da família até hoje. Mas passado mais de 15 anos do inicio da implantação temos que reconhecer que ainda hoje estamos longe de atingir as metas fundamentais propostas por essa estratégia, ou seja, substituir o modo de pensar e fazer atenção básica no Brasil.

A formação dos profissionais não evoluiu conforme as necessidades da Estratégia, seja na qualidade seja na quantidade. Isso pode ser pelo baixo investimento governamental e também pelo pouco interesse dos profissionais e gestores.

De um modo geral os profissionais da ESF continuam trabalhando dentro da lógica ultrapassada das UBS privilegiando a demanda espontânea, sem planejamento, adstrição da clientela e principalmente, sem responsabilizar-se pelo cuidado da população.

De um modo geral as cidades do interior, que poderiam ter mudando sua lógica de trabalho acabam reféns dos profissionais médicos, que querem receber vencimentos astronômicos e oferecem um serviço muito aquém do que se espera. De outros as cidades não realizam concursos públicos para fixar os profissionais na cidade e estes acabam indos para onde oferecem os melhores vencimentos sem pensar muito.

Agora com a instituição do NASF, a continuar essa situação, a tendência é ficar ainda pior o atendimento a população. Digamos que determinado município opte por contratar Fisioterapeuta, nutricionista e psicólogo. Como será executado o serviço destes profissionais? Se não houver um gestor capas de dizer como esse serviço deve funcionar a tendência é que cada profissional faça apenas o trabalho clínico, perdendo mais uma vez a oportunidade de realizar um trabalho coletivo e multiprofissional.

Em se falando de tecnologia, muitas equipe já podem contar com computador, maquinas fotográficas digitais e até mesmo com projetores multimídia. Mas, levando-se em conta que ainda não conseguem executar a transição mínima da UBS para ESF, que uso saberão fazer destes equipamentos?

Tomando como exemplo a câmera fotográfica digital: que papel exerce na qualificação do serviço para população? É utilizada como um instrumento de educação e promoção de saúde ou apenas para registrar alguns programas que o estado exige relatório?

No caso dos computadores: é muito comum verificar os profissionais utilizando não de modo a melhorar o serviço, mas para utilizar ORKUT, acessar MSN e verificar noticia das novelas e da vida de artistas.

Portanto é muito importante que a estruturação física e material dos serviços seja concomitante com a capacitação dos servidores.

2 comentários:

Vanessa disse...

Concordo plenamente!!!!

Do Prado disse...

Concordo. Gestores que não dão importância para a tecnlogia que pode ser empregada para o local não fazem a minima idéia dos benefícios que traz. A informação é uma arma poderosa para uma estratégia que tem como meta a prevenção!
O ruim que eles também nem ligam em estarem atualizados e tão pouco atualizarem seu pessoal.