09 agosto, 2008

BRASILIA E DIABETES NA PRÓPRIA CARNE

Em Brasília havia mais ou menos oito mil pessoas para III Mostra Nacional de Produção em Saúde da Família. Tinha muitas opções: serviços, reuniões, pesquisas, cursos, mostras de artes, atividades culturais, técnicas e políticas.

Um dos serviços prestado era um teste de risco para diabetes. Realizava-se uma verificação do nível de glicose no sangue. Além disso, tinha orientações e medidas antropométricas. Tudo parte de um estudo para lançamento do teste de risco para diabetes. Alias uma metodologia muito interessante e um softwer que promete ser uma grande ferramenta para diagnóstico desta doença tão desgastante para seus portadores e familiares.

Entrei para testar minha glicose por insistência, pois não queria ir, pois tinha certeza que diabetes não era um risco considerável na minha vida, nem agora nem nunca. Valor da glicose: 224 mg/dl. Altíssima, mas eu havia chupado uma bala enorme de caramelo que ganhei de um cara que já passou a ser amigo, Gert, do Rio de Janeiro. Mesmo assim altíssima, pois o Gert também fez o teste e já tinha comido vários doces e não estava com mais que 170 mg/dl. Isso já foi o suficiente para eu ficar preocupado, pois já havia feito em Rio Negro um teste que havia dado alto.

Depois de 2 horas de jejum, conforme orientação retornei para novo teste: 176 mg/dl, ou seja, ainda muito alto e isso quer dizer que estou com diabetes ou ao menos com um problema sério no metabolismo.

Na minha família não há diabéticos, não sou gordo e não abuso de álcool ou gordura. Faço exercícios cinco vezes por semana durante mais de 1 hora. Evito massas, pão a maior parte das vezes é integral. Dificilmente bebo, não gosto de salgadinhos e petisco em geral. Meu café é com o mínimo de açúcar.

Então de onde vem essa diabetes?

Segundo a Enfermeira especialista lá presente que me orientou, essa diabetes provavelmente é tipo 1 e meio, ou seja, ainda por cima não é comum, o que pode dificultar o diagnóstico definitivo e ainda causar dificuldades para o tratamento.

Segundo ela pessoas hiperativas têm propensão a ter esse tipo de diabetes e o desencadeamento é um forte estresse. A dificuldade é que sem exames específicos não se consegue o tratamento correto e se isso não acontecer o prognóstico não é bom. Pode acontecer, segundo ela, que uma vez os exames conseguindo detectar onde realmente esteja o problema e sendo realizado o tratamento correto, dentro de um ano a doença possa estar eliminada.

Mas a mulher não aliviou, assustou-me muito dizendo que eu podia perder os rins ou o fígado ou coisa pior.

Tradicionalmente se diz que uma pessoa com diabetes apresenta os seguintes sintomas: fome constante, sede, fraqueza, formigamento dos membros, cicatrização lenta. Nada disso sentia ou sinto. Diz-se também que pessoas gordas ou com histórico de diabetes na família são as candidatas mais sérias a doença. Diz-se, por fim, que momentos de grande estresse é o desencadeador do problema.

No meu caso a única característica que bate é a última.

É triste, mas tudo indica que seja verdade. Brasília não me trouxe só notícias boas, mas mesmo as ruins foram importantes.

Um comentário:

Dra Rozeli Soares disse...

Caro Ernande, sua diabetes, pode ser de fundo emocional. Veja bem, todos os outros sintomas que a doença pode causar, você não os possui... porém não descartou o sintoma de alto nível de estresse. Digo, "alto" porque o estresse "normal" é bom e necessário, porém acima do que possa ser considerado desejável, ele se torna uma ameaça ao organismo. Existem muitas formas de manter-se de bem, e uma delas é a prática de exercicios (que sei que já os faz diariamente) mas procure sobretudo, fazer exercicos como a natação e longas caminhadas... além de fazer um bem enorme, relaxa e ajuda aliviar o estresse.
Parabéns, pela brilhante narração. e pela coragem de compartilhar conosco de seu problema.
Um abraço fraterno,
Drª Rozeli Soares - Psicóloga