05 abril, 2008

EU E A EQUIPE

Um dos maiores ressentimentos que sempre tive com a Enfermagem, sobretudo Enfermagem em Saúde Coletiva era o fato de ter que trabalhar em equipe. Sempre achei que o trabalho seria mais bem feito se pudesse garantir que ele fosse executado do meu modo, como eu queria e a hora que queria e conseqüentemente feito por mim. Delegar função e confiar que seria feito, ou melhor, feito como eu desejava, era uma questão torturante. Não confiava que alguém seria capaz de fazer tão bem quanto eu ou mesmo que pudessem fazer corretamente.

Quando comecei a trabalhar em saúde coletiva mais um problema para se juntar aos problemas de trabalhar em equipe. Não eram mais apenas auxiliares ou técnicos de enfermagem, agora tinha também os ACS – Agentes Comunitários de Saúde. E eram em grande quantidade. Em Rio Negro eram 7 na Equipe Urbana.


Foi um duro aprendizado trabalhar com os ACS. Eles nunca faziam as coisas que queria nem como eu queria e muito menos no prazo que eu queria.


Tudo era difícil para eles entender. Tudo parecia que era implicância, que eram exigências desnecessárias. As tarefas, quando feitas eram de má vontade.


Para ser sincero não demorou muito para que a grande maioria dos ACS estivessem trabalhando dentro de uma prática aceitável.


Mas vamos procurar entender isso: em Rio Negro sempre existiu grande rotatividade de Enfermeiro. Alguns tendo ficado menos de um mês. Cada um trouxe novas formas de ver e fazer seu trabalho. Alguns sem forma nenhuma e sem trabalho, mas de um modo geral cada mudança exigia adaptações dos ACS. Sendo assim porque mudar logo de cara sendo que talvez esse Enfermeiro também vá embora antes da poeira assentar¿


Mas eu fiquei e tiveram que aprender a trabalhar comigo, assim como tive que aprender a trabalhar com eles. Neste sentido foi um aprendizado proveitoso para ambos.

Eles foram conhecendo a proposta, sendo valorizados, compreendendo, verificando se era possível ou não, mas sempre com a mesma desconfiança: isso vai acabar logo e vamos ter que reaprender tudo de novo.

Neste tempo eu fui mesmo embora. Tiveram que reaprender tudo de novo. Lembravam do trabalho já feito, em como tinha sido desmontado, em como tiveram que valorizar outras formas de trabalhar.

Aí eu voltei...


Mas agora com mais paciência, com calma e proporcionando uma maneira nova para os ACS compreender o trabalho. Sem impor, sem brigar. Elogiando mais e reclamando bem menos.

Mas mesmo assim tem uma questão: todo servidor quando é exigido pensa que é injustiçado. Porque eu tenho que fazer isso se fulano não faz e ganha o mesmo que eu ou até mais¿

Podem fazer isso por 3 motivos:
1 porque o chefe ta mandando
2 porque acreditam no chefe
3 ou porque é assim que a população precisa


O ideal é fazer porque é o melhor para população, mas esse é um processo que leva mais tempo. Hoje os ACS fazer porque acreditam no chefe...querem fazer para ele. Pelo menos é assim que eu vejo.

A Estratégia Saúde da Família nasceu como um programa e até hoje tem suas normas e objetivos. A prática do dia-a-dia não poderia ser tão discrepante, mesmo com mudanças de profissionais. O ideal é institucionalizar as normas, ver como a população fica bem atendida e garantir a continuidade, mesmo com a rotatividade. Quem chega deve se adaptar as normas existentes e não o contrário. Mas para isso acontecer é preciso ter um programa bem estabelecido. Quando isso não acontece quem chega vai querer mudar tudo ou ter que criar tudo.
Felizmente hoje temos normas e serviços estabelecidos. O que precisa é que os membros da equipe se apropriem de tudo, que isso não seja a vontade do chefe, mas a vontade da equipe.

Ainda vamos chegar lá.

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